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SEM COMPARAÇÃO: O perigo de medir a vida pela régua dos outros

Hélio Alves de Oliveira by Hélio Alves de Oliveira
13 de agosto de 2026
in Hélio Alves de Oliveira
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SEM COMPARAÇÃO: O perigo de medir a vida pela régua dos outros

FOTO: Freepik

Durante anos, uma importante marca de eletrodomésticos construiu sua identidade com o slogan “Sem comparação”. A publicidade entendeu que aquilo que é verdadeiramente valioso não precisa viver sendo comparado.

Curiosamente, nós fazemos exatamente o contrário. Transformamos nossa felicidade em uma competição permanente. Comparamos nossa aparência, nosso patrimônio, nossa família, nossas férias e até nossa espiritualidade. O resultado é previsível: perdemos a alegria de sermos quem somos.

Imagine a cena: o despertador toca. Antes mesmo de sair da cama, a primeira coisa que fazemos é pegar o celular e navegar pelas redes sociais. Em poucos minutos, já vimos viagens, promoções, corpos esculturais, famílias felizes e histórias de sucesso. O dia mal começou, mas a comparação já começou também. Não é difícil perceber que esse hábito tem cobrado um preço alto, especialmente da saúde mental de crianças e adolescentes.

Recentemente, o Reino Unido anunciou que irá restringir o acesso de menores de 16 anos às principais redes sociais, seguindo um movimento iniciado pela Austrália e acompanhado por outros países.

No Brasil, o alerta também cresce. Neste ano, o IBGE divulgou a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), apresentando um quadro preocupante: três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram sentir-se tristes sempre ou na maior parte do tempo, e 18,5% disseram pensar que “a vida não vale a pena ser vivida”. O estudo reacendeu o debate sobre o impacto das redes sociais, da comparação constante e da busca por validação na saúde emocional dos jovens.

O problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela influencia a percepção que temos de nós mesmos. Daí surge uma pergunta inevitável: se foi necessário criar leis para limitar o poder dos algoritmos, será que não precisamos também aprender a proteger o nosso coração?

A fé cristã oferece uma resposta libertadora. O salmista reconheceu: “Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável” (Salmo 139.14). Em uma cultura que insiste em padronizar as pessoas, a Bíblia afirma exatamente o contrário: Deus não produz cópias. Cada pessoa é uma obra única, criada com propósito e dignidade.

Deus também nos criou “sem comparação”. Não existem duas digitais iguais, dois DNAs idênticos ou duas histórias de vida iguais. Nem mesmo gêmeos idênticos possuem a mesma impressão digital. O problema começa quando deixamos de celebrar a singularidade da nossa criação para tentar viver a vida de outra pessoa.

A comparação rouba a gratidão, alimenta a inveja e enfraquece a identidade. A fé, ao contrário, nos convida a descansar na certeza de que fomos criados de forma única e amados incondicionalmente.

Nosso valor não depende do número de seguidores, de curtidas ou de comentários. Somos valiosos porque fomos criados à imagem do Criador e redimidos por Cristo.

Enquanto governos discutem formas de proteger as novas gerações dos excessos do mundo digital, cada um de nós precisa fazer uma pergunta igualmente importante: quem está definindo o meu valor?

Se a resposta estiver nas curtidas, viveremos sempre inseguros. Mas, se estiver em Deus, descobriremos uma identidade que nenhum algoritmo pode construir e nenhuma rede social pode destruir. Afinal, fomos feitos “sem comparação”.


(*) Pastor da Primeira Igreja Batista de Governador Valadares, psicólogo e presidente da Rede Batista de Educação.

As opiniões emitidas nos artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores por não representarem necessariamente a opinião do jornal.

Tags: diarioriodocedrdHélioAlvesdeOliveira
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